O fato não é comum. O Partido dos Trabalhadores decidiu admitir que os diretórios municipais façam alianças com o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições do ano que vem. Apesar de parecer banal, esta é a primeira vez que a sigla do presidente Lula admite alianças com o partido do principal adversário político. A decisão passou com apenas dois votos de vantagem durante reunião da agremiação, ocorrida na última segunda-feira (28), mas que teve os efeitos revelados apenas nesta quarta (30). A condicionante para a aliança é que o candidato apoiado vote no presidente.

A decisão abre apenas uma ressalva, a não identificação do candidato com o bolsonarismo. “É vedado apoio a candidatos e candidatas identificados com o projeto bolsonarista”, diz o documento. Essa redação foi submetida à votação no diretório petista, tendo sido aprovada por 29 votos contra 27. Teve como base um texto apresentado pela corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), tendência majoritária integrada por Lula. A medida serve para casos como o do candidato eleito em Pesqueira, em Pernambuco, em 2020. Marcos Xucuru foi candidato pelo PL, mas sendo apoiador histórico de Lula.

Secretário de comunicação do PT, o deputado federal Jilmar Tatto (SP) disse à Folha de São Paulo não haver um impeditivo em relação ao PL, apenas ao projeto bolsonarista. “Se o candidato a prefeito declarar que estará conosco em 2026, mesmo estando no PL, é permitido [aliar-se]”. Tatto afirma existirem ministros que votaram em Bolsonaro e diz haver candidatos a prefeituras que hoje estão com Lula, ainda que filiados ao PL. “Isso é permitido”, diz.

A resolução também defende que o atual presidente seja candidato à reeleição em 2026.

Informações com Suetoni Souto Maior

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Last Update: 6 de setembro de 2023