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Cuidados na PB para fungo que ataca gatos e humanos

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Cuidados na PB para fungo que ataca gatos e humanos

A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde, emitiu uma nota informativa com orientações sobre a esporotricose, uma micose subcutânea causada pelo fungo Sporothrix schenckii que pode atacar humanos e animais, cujos casos vêm registrando acréscimo.

“Apesar de não ser de notificação obrigatória, sabemos do aumento desta doença em todo país com os colegas veterinários, ONGs paraibanas e também pela própria população”, disse o chefe do Núcleo de Controle de Zoonoses da SES, Francisco de Assis Azevedo.

O médico veterinário explicou que, como o fungo está constantemente em ambientes abertos, principalmente no solo, a esporotricose pode ser transmitida por meio de ferimentos já abertos que tenham contato com algum material contaminado. Outra forma pelo contato com animais contaminados, gatos em sua maioria.

“A maioria da transmissão tem sido associada a gatos infectados. Não há relatos de transmissão de homem para homem e de cachorro para homem. A maioria dos relatos é de transmissão de gato para homens e de gato para o cachorro. Por isso, o gato é a maior vítima da doença e não o vilão”, explicou Assis.

Nos felinos os sinais mais comuns são lesões ulceradas na pele, profundas, que não cicatrizam e costumam evoluir rapidamente. As lesões são mais comuns na cabeça, cauda e patas. Os casos suspeitos deverão ser avaliados pelos serviços de Vigilância Ambiental/Zoonoses dos municípios.

Entre as medidas de prevenção estão a usar luvas para manipular os animais doentes; limpar o ambiente com água sanitária; durante o tratamento, o animal doente deverá transmitir a doença ao proprietário; cremar os animais mortos; não fazer curativos e nem dar banho em animais doentes e castrar gatos e gatas saudáveis para diminuir as saídas às ruas e a possibilidade de transmissão da doença.

De acordo com a nota, a SES orienta que é facultado aos serviços de Vigilância Ambiental/Zoonoses dos municípios realizarem procedimentos necessários de acordo com a severidade dos casos, a exemplo de animais de rua com os exames laboratoriais positivos que apresentem riscos iminentes à população; animais entregues, voluntariamente, pelos donos, por não ter condições de dar continuidade ao tratamento e animais comunitários que estejam com a doença e que causem risco iminente a saúde pública.

JOÃO PESSOA

O representante da Comissão de Direito Animal da OAB-PB, Francisco José Garcia, disse que a Prefeitura Municipal de João Pessoa fez vista grossa sobre casos. O advogado relatou que a denúncia sobre a morte de animais acometidos pela doença foi apresentada desde novembro de 2017, mas que até agora nenhuma providência foi tomada, motivo pelo qual entraram com a solicitação no Ministério Público.

Após a denúncia, o Ministério Público deu um um prazo, para que se torne obrigatória a notificação de casos de esporotricose animal no município de João Pessoa. Além disso, a Promotoria de Justiça da Saúde de João Pessoa requisitou que a gerência do Centro de Zoonoses de João Pessoa remeta informações acerca as medidas adotadas em relação aos animais que se encontram em situação de abandono e diagnosticados com esporotricose.

“Tivemos que denunciar ao MP, por esperar muito tempo uma resposta da PMJP, desde de novembro de 2017 quando questionamos a morte dos animais acometidos por essa doença, que tem sido identificada como um surto no município”, disse.

“Existem doenças que precisam entrar no rol das doenças obrigatórias devido sua gravidade. É por isso que estamos lutando para que aconteça essa notificação obrigatória, dado o grau de impacto dessa doença na saúde pública”, ressaltou.

“A expectativa é que de fato essa portaria ser aprovada como instrumento normativo seja ele por portaria ou resolução, tornando obrigatória a notificação da esporotricose animal”, explicou

Segundo ele, existe também a notificação obrigatória para a esporotricose humana, “essa ainda não existe estamos querendo que ambas as notificações tanto humana, quanto a animal sejam obrigatórias por parte da autoridade sanitária”, afirmou.

Sobre a denúncia de que o Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses continuaria matando os gatos sem o laudo do veterinário, o advogado lembrou que o orgão não pratica mais esse tipo de ação depois da existência da lei municipal, que exige dois laudos médicos veterinários para a eutanásia de qualquer animal, seja ela feita pelo poder público seja pelo ente privado”, explicou.

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