Sucesso da polpa de fruta de um casal de Brejo dos Santos

CasalPolpaA natureza aliada a uma visão empreendedora deu início a um negócio de sucesso no Sertão da Paraíba. O que era apenas um complemento da renda se transformou no sustento de uma família com cinco pessoas. Foi na cidade de Brejo dos Santos, embaixo de um pé de cajarana, árvore comum na região, que começou a história de seu Divan de Oliveira e dona Rosália Miranda. O casal tem três filhos, e não conseguiam consumir todo o fruto que brotava da árvore. Como em tempos de seca desperdiçar é verbo proibido no Nordeste, nasceu daí uma proposta, um negócio: a fabricação de polpa de fruta.

“O pessoal que andava na casa da gente tomava o suco da fruta e gostava. As pessoas iam pedindo mais, e a gente ia fazendo”, lembra dona Rosália. Segundo ela, as frutas eram tantas, que, para não estragar, começou a fazer a polpa e guardar. “Passava a cajarana no liquidificador, coava em uma peneirinha, enchia os saquinhos e colocava no congelador”.

Desse dia em diante, não parou mais. “O pessoal começou a chegar na casa da gente procurando, e começamos a vender”. As vendas se espalharam pela vizinhança. A fama da polpa de cajarana de dona Rosália e seu Divan aumentou e exigia uma produção cada vez maior. O liquidificador de casa e o ensacador artesanal, feito de cano de PVC pelo chefe da família, já não davam mais para serem utilizados.

Crédito

Dona Rosália lembra que precisou de dinheiro para comprar o maquinário adequado, pois o que ganhou com as primeiras vendas da polpa de cajarana foi insuficiente para expandir o negócio. “Foi aí que apareceu o empréstimo do Banco do Nordeste. A gente foi fazendo e comprando um ‘freezerzinho’, depois compramos um liquidificador industrial, uma máquina de ensacar e, graças a Deus, estamos vendendo muito”, comemorou.

Com um maquinário mais potente, o casal passou a fabricar polpa de outras frutas, como manga, abacaxi, goiaba, tamarindo e caju. Com a diversidade de sabores, as encomendas ultrapassaram os limites do sítio onde moram, passaram pelo município de Brejo do Cruz e chegaram até as cidades vizinhas, como Bom Sucesso, Catolé do Rocha e Jericó.

Parte das encomendas de Bom Sucesso vão para a lanchonete de seu João de Deus Araújo. “Eu compro 30 quilos de polpa por mês e vendo uma média de 20 litros de suco por dia. O que mais pedem aqui é suco de polpa, porque fruta nessa época é mais difícil”, contou o comerciante.

 Além de abastecerem a lanchonete de seu João de Deus, seu Divan e dona Rosália se tornaram fornecedores do programa de alimentação escolar da região. “Antes disso, o suco da merenda vinha de fora, mas, através da ideia que a gente teve, agora é daqui”, disse dona Rosália. Ela não esperava que a ideia que teve fosse se transformar em um grande negócio. “Começar a fabricar para tomar em casa e, de repente, gerar um alimento para as escolas é uma coisa que a gente não esperava que fosse acontecer”.

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